Resenha: A Arte de Abater Anciões

A Arte de Abater Anciões | Cinco Gatas

Nome: A Arte de Abater Anciões

Autor: Fábio Ochôa

Editora: Cinco Gatas

Sinopse: “Fábio Ochôa escreve, escreve, escreve, escreve. Eu leio, leio, leio, leio o que o Fábio escreve. Achei que tinha lido tudo. Não sabia do rockabilly surrealista, do encontro entre Lovecraft e K. Dick, do Firmino Colgate e do que aconteceu depois que aquele gorila caiu daquele prédio. Num livro sobre os mundos que a gente não imagina, descobri que o Fábio tem muito mais mundos do que eu imaginava.

Nota:

Onde comprar: livro a arte de abater anciões editora cinco gatos \ LIVRO NA AMAZON

 

Minha opinião: O autor faz sua estreia no mercado editorial com “Arte de Abater Anciões” que traz contos de terror e fantásticos com uma escrita cheia de ingenuidade e doçura para histórias para lá de macabras. A todo momento ele nos surpreende com os desfechos de cada conto. Tudo isso na  maioria das vezes sendo direto ao ponto e sem enrolações ou textos exageradamente descritivos. Apesar disso, não se exclui a profundidade embutida em cada conto, que são independentes, mas que de certa forma acabam tendo pequinesas repetições de palavras, nomes e expressões fazendo liga entre um conto e outro.

Apesar da premissa de terror e fantasia, o autor passeia por temas, questões e contextos extremamente plurais. Cada conto nos marca com certas reflexões sobre as relações humanas.

(…) Caso exista alguém que não saiba, Salvis Presli foi, provavelmente o maior cantor popular do século XX, criador do Surrockabilly…. (…)

(…) Nunca soube ao certo o que exatamente ele não gostava em sua sombra, talvez fosse algo no formato dela, na postura, ou ainda na forma das orelhas, no comportamento ao caminhar, ou talvez o todo, simplesmente o todo e o  como ela o lembrava de seu próprio corpo. O que Claudionor sempre dizia é que ela fazia tudo que ele fazia (…)

(…) E assim passava a vida do homem sem nome, em uma infinita viagem, ouvindo a estranha música de alguém que havia nascido há milhares de anos(…)

(…) Existe o que os outros querem que sejamos, existe o que queremos ser e existe o que realmente somos (…)

(…) Nunca teve nada de especial, nunca foi muito bom em nada. Talvez ele não tenha sido nem bom, nem talvez todo espetáculo precise de um porteiro (…)

A publicação é da “Cinco Gatas” e tem um trabalho  gráfico muito bem executado pelo  Eduardo Argoud.  Ótima escolha de fonte e excelente espaçamento.

Entre idas e voltas que os contos fazem todos se encontram com a morte.

Elenquei os melhores contos do livro:

Hócus Pócus

Pequena Crônica de Claudionoro e sua sombra

Sobre os últimos lugares para se encontrar

O voar do homem sem asas

O fim aos 22

A Psique Aplicada a pequenos espaço

Como ser um homem gentil

Igreja vazia

Roma

O clube da esquina rosada

O Cadafalso do papai

 

 

 

por gabriel