Espetáculo Felicidade

Felicidade é uma peça de comédia musical. Conta a história de uma colunista que está passando por uns estresses na vida em relação à mãe e a uma colega antiga que ela reencontrou recentemente. Mas, de uma noite para outra, ela acorda com uma felicidade que não sai dela de jeito nenhum, o que acaba atraindo a insatisfação do próprio marido e da mãe.

É uma peça muito divertida. Cheia de música e com intervenções do Zeca Baleiro na trilha sonora, composta ali por músicas do próprio Zeca e também do Tom Zé. No elenco ainda temos Eduardo Estrela, Nilton Bicudo, Luiza Michelleti e protagonizando Marta Nowill.

Com ajuda do humor, o espetáculo irá criticar os extremos da felicidade e da tristeza.

Em cartaz até o dia 1º de fevereiro no Teatro Sérgio Cardoso.

por gabriel

Resenha: Primeiro Encontro

Sinopse: Uma jornada que mergulha os espectadores durante um primeiro encontro nas mentes de Piero e Lara, revelando onde seus egos internos colidem e os pensamentos ocultos e os conflitos internos que influenciam nossas escolhas são revelados.

Minha opinião: É aquela comédia romântica que, apesar de fugir de muitos clichês, também traz algumas características presentes em filmes do gênero. Um dos principais destaques do longa são os atores que representam os “divertidamentes” das cabeças dos protagonistas. São eles que vão guiar, de certo modo ajudar, muitas vezes atrapalhar as decisões que as personagens tomam durante o primeiro encontro, o acontecimento que é o centro de todo o filme.

por gabriel

Resenha: O que a natureza te conta

Pandora Filmes | A Pandora Filmes é uma distribuidora de filmes de arte,  ativa no Brasil há trinta anos.

 É a minha segunda experiência assistindo aos filmes do diretor sul-coreano Hong Sang-soo. O primeiro foi “As Aventuras de uma Francesa na Coreia”. Neste filme, se centraliza na história de um jovem poeta, que leva sua namorada para a casa dos pais dela, nos arredores de Icheon, uma cidade da Coreia. O rapaz fica encantado com a arquitetura da casa, a junção com a natureza e o jardim ondulado. Nisso, ele irá conhecer o pai da namorada e, a partir disso, seguem conversando durante todo o longa com até então muita afinidade regada de comida e bebidas. Ele também conhecerá a irmã e a mãe da namorada. No decorrer de todo esse dia, um certo embate acontece e abala todas as relações. “O que a natureza te conta” traz questões envolvendo família, vulnerabilidade, poesia e uma forte mensagem de o quanto a natureza pode nos ajudar a trazer respostas para a gente.

 

por gabriel

Karla Carvalho e a literatura reflexiva para crianças (e adultos)

Muitas vezes as pessoas pensam que literatura infantil é somente para crianças. Por mais que os autores do gênero possam criar essas obras direcionadas a esse público, não é incomum também o  público adulto se conectar com as obras. Além de pais e educadores que porventura terão acesso ao material, até mesmo para fazer a ponte até a criança. Os adultos também podem aprender, se emocionar e se envolver com esses livros.

A escritora Karla Carvalho é uma dessas autoras que conseguem fazer esses livros que se entrelaçam com todos os públicos. Recentemente tive a oportunidade de ler cinco títulos publicados pela autora. Vou compartilhar eles aqui com vocês:

Título: Casulos

Sinopse:

Nina é uma menina que teve sua vida virada de cabeça para baixo. Nina sentia um furacão de emoções e não sabia bem como lidar com elas e as mudanças que aconteciam ao seu redor, então ela construiu um casulo, um refúgio de cobertores, almofadas e tudo que ela mais gostava, para se sentir segura e lidar com seus sentimentos. Apesar de o casulo ser um lugar bem confortável, Nina sabia que teria que se permitir criar asas para continuar sua história. Esse livro fala sobre mudanças, sentimentos e transformações, e te convida a olhar para dentro e explorar temas que dificilmente são conversados com as crianças, como a perda e a solidão.
Minha opinião:O luto é inerente à existência humana e a autora traz isso para o universo da criança. Nem adultos sabem lidar com o luto, então imagina uma criança que perdeu a própria mãe. Karla aborda o tema de maneira profunda, poética e sensível por meio de ferramentas para ajudar a criança a lidar com essa dor eterna. As ilustrações são de Lia Rangel, que ajudam a deixar a atmosfera da obra ainda mais especial.
Coisas incríveis acontecem na cabeça de Tim
Título: Coisas incríveis acontecem na cabeça de Tim
Sinopse: Através da narrativa lúdica e cativante da história de Tim, embarcamos em uma jornada que nos aproxima dos sentimentos e pensamentos de uma criança com TDAH. Testemunhamos suas dificuldades com a atenção, hiperatividade e impulsividade, mas também celebramos seus momentos de alegria, criatividade e potencial.Ao longo da história, somos apresentados às ferramentas e estratégias que podem auxiliar Tim em seu desenvolvimento. Acompanhamos a importância da colaboração entre família, escola e profissionais especializados na criação de um ambiente acolhedor e propício para o aprendizado.

Mas a história de Tim não se limita apenas à informação, ela também nos convida a refletir sobre a importância da inclusão e da aceitação. Através da empatia e da compreensão, aprendemos a ver o TDAH não como uma limitação, mas como parte da criança, que podemos ajudá-la a despertar seu potencial.

Minha opinião: Neste livro, a autora irá abordar um tema que preocupa muitos os pais de crianças, ainda mais em um tempo tão hiperconectado, com vários autodiagnósticos feitos em redes sociais, preconceitos que existem na sociedade em relação ao TDAH e outras condições. A obra se apresenta com o objetivo de tranquilizar o leitor em relação às tensões que se tem antes e pós-diagnóstico.

Ilustração: Catarina Rangel

Onde comprar: Amazon
EMOÇÕES DENTRO DE MIM - A RAIVA : CARVALHO, KARLA: Amazon.ca: Livres
Título: Emoções dentro de mim:  a raiva 
Sinopse:Palavras, cores, formas, linhas, texturas e contrastes podem expressar e acessar os sentimentos dentro de nós, permitindo compreendê-los a partir da subjetividade de cada um. O livro Emoções dentro de mim: A raiva busca abraçar, apresentar e ensinar de forma lúdica como lidar com a chama que existe dentro da gente por meio da respiração e acolhimento, afinal tudo bem sentir! E a sua chama? Fica aí presa e provoca incêndios? Ou você a acalma quando começa a querer sair?

Minha opinião:Ter ferramentas para lidar com as emoções é extremamente necessário para vivermos em sociedade e, quando essas questões são desenvolvidas desde criança, isso se torna ainda mais eficaz para o futuro adulto que essa criança se tornará. A autora acerta precisamente ao abordar esse tema em uma obra voltada ao público infantil.
Onde comprar: Loja da autora
Ilustração: Catarina Stutz

Neste Mundo Azul - comprar online

Título: Neste mundo azul 

Sinopse:Já imaginou como seria o mundo se todos fossem iguais? E se nos jardins só existissem margaridas brancas? Ou se no céu voassem apenas borboletas amarelas? A natureza é feita de cores, formas e encantos diversos – assim como nós! Embargue nessa aventura e descubra como é justamente a beleza das diferenças que torna o mundo um lugar extraordinário.

Minha opinião: O preconceito sempre existiu, mas em tempos que, por muitas vezes, se perdeu o tabu em discriminar, em ofender, a obra traz de uma maneira muito lúdica e clara para a criança sobre o amor e o respeito ao próximo. E em entender que vivemos em um mundo plural, que as pessoas são diferentes, trazendo uma perspectiva positiva em meio a toda essa adversidade, com apenas a lição do respeito.

Ilustração: Pietro Peres

Onde comprar: Loja da autora

Título: Lia e a baleia 
Sinopse: Quando a noite chega, Lia sente um friozinho na barriga: será que vai conseguir dormir sozinha? Mas, com o abraço macio da baleia azul, ela descobre que o medo pode ser acolhido, entendido e, pouco a pouco, transformado em coragem, confiança e autonomia.
Minha opinião: Livro indispensável para pais e filhos que estão passando por essa fase. A obra aborda também a questão do brinquedo de estimação da criança, que muitas vezes será a primeira amizade, o apoio emocional que ela precisará para lidar nesses primeiros anos de vida. Muito singela e bonita a historinha.
Ilustração: Juliana Rangel
Onde comprar: Loja da autora
Conclusão: A autora traz livros que fogem da linguagem tatibitate – infantilizada para as crianças, pelo contrário, com histórias e mensagens que fazem a criança refletir, criar, imaginar e se desenvolver nesse período de crescimento e descobertas. São obras que fazem até o adulto acender o alerta para tantos temas que nos cercam de maneira tão profunda e que se escondem lá no nosso íntimo.
por gabriel

Resenha: A quem eu pertenço

Pandora Filmes | A Quem eu Pertenço - Pandora Filmes

Sinopse: Aicha vive no norte da Tunísia com o marido e o filho mais novo. A família vive angustiada desde a partida dos filhos mais velhos, Mehdi e Amine, para a guerra. Quando Mehdi inesperadamente volta para casa com uma misteriosa esposa grávida, algo sombrio emerge na região, ameaçando toda a aldeia. Com isso, Aicha se vê dividida entre o amor materno e a busca pela verdade.

Minha opinião: O longa traz uma mistura de gêneros, divididos em capítulos, com ação, drama e sobrenatural. O filme de Meryam Joobeur é cheio de tensões, medo, dor, aflições. Ao mesmo tempo, explora pureza, simplicidade e a sensibilidade das crianças. “A quem eu pertenço” simultaneamente que se propõe a trazer diálogos duros entre as personagens, também expõe diversos momentos em que o silêncio e os olhares das personagens são cheios de mensagens e sentidos.

por gabriel

Espetáculo- Triste!, Triste…, Triste?

No último sábado, 11 de outubro, estive no teatro do núcleo experimental no monólogo protagonizado pelo ator Thalles Cabral, do diretor Nicolas Ahnert, baseado no livro “Triste não é ao certo a palavra” de Gabriel Abreu.

A peça é um oceano de emoções sobre a angústia da perda de um familiar. São múltiplas as sensações. Demonstra uma luta por um resgate do tempo e uma busca por respostas de perguntas nunca ditas.

A personagem principal vai demonstrar todo o percurso dos últimos 30 dias de vida de sua mãe. De forma dilacerante, vivencia as fases do luto até mesmo antes da mãe de fato morrer, visto que a mesma tem o diagnóstico de demência.

Os destaques ficam para o Thalles,que entrega de forma profunda a atuação. O cenário de Pazetto, a iluminação de Nicolas Caratori e a trilha sonora de Alê Martins fazem do espetáculo ainda mais emocionante.

por gabriel

Shakespeare embriagado – Romeu e Julieta

Uma peça de teatro que se propõe a colocar o texto de Shakespeare em um bar. Neste caso, de Romeu e Julieta. Anteriormente realizaram de Hamlet, do qual infelizmente não pude assistir.

Durante toda a peça, os atores bebem cerveja, cantam, dançam e interagem com a plateia. O público tem um papel importante de participação no palco também. 

Apesar de não ser um musical, a música conduz diversos momentos da peça. 

O destaque fica para o elenco, que proporciona muito carisma e momentos engraçados. Não vemos a hora passar.

por gabriel

{Resenha} – Paraíso em Chamas

Sinopse: Três irmãs, com idades entre 7 e 16 anos, vivem sozinhas depois que a mãe desaparece por longos períodos de tempo. Quando o serviço social exige uma reunião familiar, a irmã mais velha, Laura, planeja encontrar uma substituta para a mãe.

Minha opinião:

O sueco longa “Paraíso Em Chamas” da diretora Mika Gustafson traz três meninas protagonistas que encaram a sobrevivência de uma vida com a ausência dos pais que somem de suas vidas por tempos indeterminados. De idades distintas, Steffi tem 7, Mira 12 e Laura 16. 

O longa traz um foco maior na irmã mais velha Laura, que luta para que as autoridades não descubram que ela e as irmãs estão sem um responsável. No meio disso, as irmãs vão celebrar a vida, festejar e passar por ritos importantes, como a primeira menstruação e trocas de dentes. 

As cenas se misturam com raiva, amor, diálogos profundos e até nas cenas silenciosas que não emitem som nenhum, mas mesmo assim muito se diz por meio delas.

Se você for eu e não dispensamos um “coming of age” não pode deixar de conferir o filme.

Trailer:

por gabriel

It’s never over, Jeff Buckley

Conheci o Jeff Buckley lá por 2011, por meio da música “Lilac Wine”. Passei depois a ouvir as outras faixas do seu único álbum, “Grace”. 

“It’s never over, Jeff Buckley” é um belíssimo documentário. Para quem, como eu, já conhecia a história do Jeff, não traz muitas informações inéditas. Porém, isso se torna um detalhe sem importância, em meio aos depoimentos das pessoas que fizeram parte da vida do cantor.

O doc exprimiu também algumas informações sobre o Tim Buckley, pai do artista, que assim como o filho, era cantor -compositor. Figura que Jeff por boa parte do tempo durante seu estrelato buscou fugir das comparações, por óbvia consequência da ausência durante uma vida inteira da figura paterna de Tim.

A mãe, amigos e ex-namoradas de Jeff Buckley participam em meio a depoimentos, entrelaçados a imagens de arquivo, entrevistas, shows e falas do próprio Jeff, que faz o público entender como o artista se enxergava no mundo e as maneiras que usava para expressar tudo isso em música. É de se impressionar e se emocionar junto deles que, mesmo depois de quase 30 anos após a morte do astro, os seus entes choram ao falar de Jeff como se sua partida fosse extremamente recente. 

As animações que aparecem entre imagens e vídeos e nos ajudam a compreender a mente química do artista foram feitas pelos animadores Josh Shaffner e Sara Gunnarsdóttir. 

Muito tímido e introvertido a aparições, entrevistas e exibicionismo, muito provavelmente Jeff se sentiria emotivo e fugiria de falar sobre essa obra. 

Ele admirava diversos cantores-compositores como ele, mas com o tempo esses ídolos do Jeff tornaram-se fãs do próprio, o que o assustou demasiadamente. 

Jeff Buckley é pura sensibilidade em suas palavras, ações e transbordava essas características em suas letras e na sua voz.

“Sem vida comum, não há arte” – Jeff Buckley

por gabriel

Resenha: A neve e a flor -Matheus Moori

Nome: A Neve a Flor

Autor: Matheus Moori

Onde comprar: Amazon

Rede social: Instagram do autor

Sinopse: Eu devo aceitar que quem eu mais amo esteja esperando pela morte? E existe uma maneira certa de se esperar pela morte? Essas questões impactam diretamente na vida de Erin, uma pequena mamute na era do gelo, onde cada animal tem a sua tradição para lidar com o inevitável fim. Em sua jornada, Erin conhecerá outras culturas, como a dos corvos que não acreditam em pós-vida, passando pelos predadores, adeptos da coragem até o último suspiro, mas principalmente tentará entender os costumes de seu próprio povo, pois são estes que guiarão a sua avó pelo caminho em que a neta não poderá acompanhá-la. “A neve e a flor” é uma estória sobre luto, o que não quer dizer que seja uma estória triste, pois além da morte, o luto envolve acima de tudo, amor.

Minha opinião:

Em minha primeira experiência lendo uma obra de Matheus Moori já tive uma grata surpresa. Apesar da temática já me instigar, fazia muito tempo que eu não fazia tantas marcações em um livro como fiz de “A neve e a flor”. São tantas passagens recheadas de questões voltadas às relações humanas, a perda, a vida, o luto e o tempo. 

Foi quase impossível não se angustiar ou não se olhar. Lembrar de alguma situação ou até me imaginar. 

“Todos acreditam em diferentes coisas. Ninguém pode ter certeza de nada. Foi por isso que deixei de tomar o que os outros falam como verdade”

Com muita maestria, o autor colocou animais em seus contextos e habitats naturais, mesclando com reflexões que passam pela vida do ser humano. Além de pontuar sobre a individualidade com que os seres lidam com o luto. 

Tudo isso também embalado por elementos das estações do ano, o inverno, com ele a neve e o frio, assim como a primavera e com ela as flores e o calor. 

“Existe um tempo em nossas vidas no qual parece que tudo durará para sempre. Um tempo em que não havia por que contar os dias e todas as coisas pareciam estar no lugar ao qual pertenciam. Depois, nos lembramos daquele tempo como nossos momentos mais felizes. A questão é: o que faremos quando algo que parecia eterno como geleiras se liquefaz como neve iluminada pelo sol?”

O grande trunfo é a personagem Erin. Ela é ou foi um pouco de cada um de nós. Em alguma fase da vida, a gente se questiona sobre a morte, a partida de pessoas queridas e a dificuldade da aceitação.

Entrevista com o autor

por gabriel