{Espetáculo} Édipo

Édipo, de Sófocles, ganhou uma adaptação do dramaturgo inglês Robert Icke. No Brasil, a direção é de Clara Carvalho. A montagem mantém as personagens de Édipo e parte da história e da mensagem de Sófocles, mas a trama é ambientada em um cenário contemporâneo, com um candidato político prestes a vencer uma eleição.

Sergio Mastropasqua dá vida ao personagem Édipo, enquanto Clarisse Abujamra interpreta Jocasta, Rodrigo Scarpelli vive Creonte e Chris Couto interpreta Merope. Também fazem parte do elenco os atores João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro e Marisa Mainarte.

Em meio às mudanças de cenário, as mensagens centrais que envolvem a trama, como o destino, as relações profundas da humanidade, as escolhas e o acaso seguem sendo elementos de destaque na peça.

Mesmo em meio a tanta tragédia, a montagem traz, em certos momentos, um tom mais leve, capaz de arrancar risadas da plateia. Em outros, porém, o humor não tinha graça alguma. Ainda assim, isso não impediu que o público risse da própria desgraça apresentada em cena.

O tom moderno pode ser percebido em diversos telões espalhados pelo teatro e na utilização de elementos audiovisuais pré-gravados, que ajudam a introduzir e desenvolver a peça.

Ao transportar Édipo para um universo político contemporâneo, a montagem reforça a permanência de uma pergunta que atravessa séculos: até onde somos capazes de controlar o próprio destino?

Mesmo que Édipo não precisasse ser atualizado, visto que as questões que a obra carrega são universais e permanecem presentes em nossa existência enquanto seres humanos, foi extremamente interessante observar essas questões com ainda mais clareza a partir de um contexto contemporâneo, no qual os personagens são inseridos e trabalhados sob uma nova perspectiva.

A temporada se encerra neste domingo, 6 de setembro.

por gabriel