Resenha: Os Quase Completos – Felippe Barbosa

Nome: Os Quase Completos

Autor: Felippe Barbosa

Editora: Arqueiro

Nota:   

Sinopse oficial: O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.

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Minha opinião: O Quase Doutor é o Otávio, uma cardiologista que durante parte da sua vida sonhou em ser um grande artista, mas com todas as pressões da família e de alguma forma sociais, acabou prestando para medicina.O Quase Repórter é um jovem jornalista, que escreve para o jornal da cidade, mas que se vê frustrado pelas limitações impostas por seu editor e ainda sofre pela perda da esposa, que faleceu ao que tudo indica causado por um suicídio. Já a quase viúva passa dias com seu noivo no hospital em coma, mas acaba desconfiada que alguém dentro do hospital pode estar tentando o matar.  A narrativa vai sendo intercalada entre as personagens que estão interligadas pelo enredo.

Tudo isso em uma atmosfera reflexiva que traz o leitor a se questionar em muitos aspectos da própria vida, da sociedade, das pessoas, relações, tradições entre outros temas. O autor ainda exprime com primor a desvalorização das artes e da cultura em detrimento de outras profissões consideradas “superiores” como são o caso de médicos e advogados. Simbologia por meio da fantasia é usada para tratar a completude do ser humano e o quanto as decisões da nossa vida tanto para um lado, quanto para outro podem ser feitas de uma forma não planejada. Mais do que nunca estamos no caminho de entender que não é possível decidirmos por tudo e que caminhos e escolhas podem ser feitas de forma involuntária.

O Prêmio Pólen de Literatura faz jus ao autor que em seu livro de estreia já traz maturidade, vivência e questões que estão e devem ser ainda mais discutidas em todos os contextos e não poderia ser melhor abordada como foi nesta obra.

por gabriel