Resenha: Alguém me ouça por favor

Título: Alguém me ouça por favor

Autora: Miriam Santos

Editora: Astrolábio Edições

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️

Sinopse:

O livro Alguém me ouça, por favor foi gerado a partir do sentimento de impotência diante de situações de indisciplina, de dificuldades de aprendizagem, de rebeldia, ou simplesmente da falta de vontade e de interesse em aprender, comportamentos esses de alunos do meu convívio, dia após dia, nos anos da minha experiência na Educação.
Tudo isso me enchia de dúvidas, de angústia e, por que não dizer, de medo. Queria fazer algo, entender, ajudar, mas nem sempre dei o meu melhor, por vezes para não me indispor com outros, não contrariar pensamentos diferentes. Sendo assim, o pouco que fiz não foi o suficiente, e trago nas linhas deste livro o meu pedido de desculpas e um apelo para que haja uma maior atenção a todos esses pequenos à nossa volta.
Eles só querem ser encontrados e ajudados em tempo oportuno, e sua única forma de pedido de ajuda é com atitudes que para muitos de nós são gestos de rebeldia. Que tenhamos um olhar diferente e possamos mudar histórias!

Onde comprar: Livraria Ipê das letras (versão física)

Amazon (e-book)

Minha opinião: A obra traz diversas reflexões sobre o ambiente escolar, os comportamentos e as pessoas envolvidas. Desde os professores, alunos e passando pelos pais até todos os profissionais que contemplam as instituições. Um livro importante para tempos tão difíceis envolvendo as relações humanas. Apesar da autora relatar a própria experiência em meio aos conflitos da escola, em nenhum momento dita regras ou julga sobre o comportamento de qualquer pessoa que frequente o ambiente da escola. Um livro empático que busca reflexões e soluções para a educação.

Entrevista

Entrevista com Miriam Santos – Autora de “Alguém me ouça por favor”

por gabriel

{Filme} Todo Tempo Que Temos

Sinopse: as vidas de Almut (Florence Pugh), uma talentosa chef de cozinha, e Tobias (Andrew Garfield), um homem recem-divorciado, mudam para sempre quando eles se conhecem. Apos um encontro inusitado, eles se apaixonam e constroem o lar e a familia que sempre sonharam, ate que uma verdade dolorosa poe a prova essa historia de amor. Decididos a enfrentar as dificuldades, Almut e Tobias embarcam numa jornada emocionante, onde vao aprender que cada minuto conta quando estamos ao lado de quem amamos.

Minha opinião: o filme tem todos os elementos para se tornar um novo clássico do cinema contemporâneo, assim como a trilogia “Antes do Amanhecer” e “Um Dia”. Andrew Garfield é o destaque do longa, em que o ator coloca toda a alma dele e se entrega ao personagem. Outro destaque fica para a química entre as personagens Almut e Tobias, vividos respectivamente por Florence Pugh e Andrew Garfield. É nítido o quanto foi visceral a interação entre eles, os toques e olhares. “Todo o tempo que temos” traz uma reflexão sobre o tempo, fazendo com que a gente tente ser mais terno com a passagem dele e saber aproveitar todo o tempo que temos, porque apesar de a passagem dele ser cruel muitas vezes, também é possível estarmos plenos em centenas de microssegundos. O longa, escrito por Nick Payne e dirigido por John Crowley, tem uma linha do tempo não linear, dessa forma a história é contada fora da sequência exata dos acontecimentos, o que torna um ponto positivo por trazer um ar de mistério e até de confusão no início do longa.

Apesar de o filme trazer elementos dramáticos, como doenças terminais, usados à exaustão em outros longas, nesta produção é possível notar abordagens diferentes nas personalidades das personagens, que, a meu ver, fazem o “ineditismo” da história.

Trailer:

por gabriel

Resenha: Farol das Palavras- Debaixo do Sol

Nome: Farol das Palavras

Autora: Amanda Lopes

Editora: Chiado

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️

Sinopse:

Aquelas conversas de você para você que são adiadas, os diálogos que seu coração insiste em fazer e os pensamentos que lhe procuram, encontram-se aqui entre 427 reflexões, textos, poesias e aforismos.
Existe sempre um momento para se guardar, para esquecer ou elucidar.
Buscamos por um abraço, um caminho, um porto e em cada página, o Farol das Palavras – Debaixo do sol apresenta um caminho de possibilidades e todas elas, é você quem escolhe.

Minha opinião: A autora traz um livro cheio de reflexões densas sobre a vida. É um passeio sobre os acontecimentos, receios, dificuldades, prazeres e tudo mais que o mundo nos oferta. Seja em enxergar beleza nas vivências ou enfrentar os problemas com resiliência. Apesar de por vezes os textos soarem mandatórios e afirmativos, também nos acolhe e tenta criar um laço identificativo ao leitor.

“…Se você doou amor e não foi retribuído, você doou o seu melhor…”

“Não queira sempre pôr fim em todos os problemas para que somente assim possa ter maior ganho de qualidade de vida, qualidade emocional ou serenidade plena no decorrer do dias…”

por gabriel

Resenha: A biblioteca dos sonhos secretos – Michiko Aoyama

Nome: A biblioteca dos sonhos secretos

Autora: Michiko Aoyama

Editora: Sextante 

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Sinopse: sucesso de vendas no Japão. Uma história sobre a magia dos livros e seu poder de conectar pessoas. O que você procura? Essa é a pergunta que a enigmática Sayuri Komachi faz a quem visita a biblioteca do Centro Comunitário de Tóquio em busca de ajuda. A lista de livros que ela recomenda sempre contém um título inusitado que se torna o agente de uma mudança. Em cinco histórias independentes que se entrelaçam de maneira sutil, você conhecerá pessoas que estão em momentos diferentes da vida, lidando com situações como a frustração no trabalho, a falta de oportunidades, o medo do fracasso e a vontade de começar de novo. A Sra. Komachi tem o dom de saber exatamente de qual livro cada visitante precisa para mudar de perspectiva e voltar a alimentar seus sonhos. Às vezes, as mudanças mais transformadoras não são as mais grandiosas: são aquelas que nos fazem ver a vida e suas infinitas possibilidades de uma maneira inteiramente nova. E você? O que está procurando?

Minha opinião: este foi o meu primeiro contato com a literatura de cura. A obra da Michiko Aoyama traz elementos do que é possível entender bem conhecidos do gênero. São contos que se interligam com personagens que passam por conflitos internos, crises na carreira profissional e desilusões com a vida. Histórias comoventes e que realmente trazem a sensação de abraço e acolhimento de que tanto precisamos nesses momentos.

“Não tenho nenhum projeto pessoal incrível ou divertido, não tenho planos, não tenho sonhos nem perspectiva. O que tenho é uma vida inútil”

 

por gabriel

21 anos de The O.C. Um Estranho no Paraíso- Minha experiência assistindo à série

Esse ano, voltei a assistir The O.C., a série lançada há mais de 20 anos e que conheci na época em que foi transmitida pelo SBT. Cheguei a assistir a alguns episódios aleatórios na época, mas depois nunca me cativou ao ponto de procurar assistir depois. Acredito que todo esse ar “fútil” de jovens mimados que os primeiros episódios apresentam me fez fugir de tentar assistir à série. Só que nada que bons anos depois, agora em streaming, com o retorno da atração no meio digital e após assistir nos últimos anos séries que são mais ou menos da mesma época, “Dawnson Creek” e “Felicity” decidi me aventurar na turma composta por Ryan, Seth, Marissa e Summer.

A série conta a história de um garoto chamado Ryan, que aos 16 anos acaba entrando na vida do crime por influência do irmão, mas é resgatado pelo defensor público Sandy. A partir disso, sua vida muda completamente.

Os temas que atravessam The O.C. são dependência química, doação, abandono, desigualdade, luto, entre outros. Ao longo das temporadas, as personagens vão ganhando mais profundidade, amadurecimento e força. Ryan é um personagem introspectivo, de certo modo carente, já Marissa é uma patricinha que guarda vários traumas. Summer é uma personagem muito inteligente, mas que se esconde em meio a futilidades, já Seth é um fã de quadrinhos e basicamente obcecado por Summer.

O “Pautando & Comentando” do dia 27/08/2024 foi sobre a série. Confira!

por gabriel

Resenha – O Ouvidor do Brasil – 99 vezes Tom Jobim – Ruy Castro

Nome: O Ouvidor do Brasil – 99 vezes Tom Jobim

Autor: Ruy Castro

Editora: Companhia das Letras

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Sinopse: Em 99 crônicas recheadas de informações e histórias de bastidores, Ruy Castro revela o lado humano, crítico e mordaz do fascinante e plural Tom Jobim.

Tom mudou a história da música brasileira com a bossa nova e suas canções, que influenciaram pelo menos duas gerações de compositores.

Minha opinião:

Um livro imperdível para quem é fã da Bossa Nova, do Rio de Janeiro, da literatura, do meio ambiente, da música. E do Tom Jobim. Ruy Castro traz em sua escrita elementos fluídos que deixam a nós leitores uma impressão de estarmos conversando com ele sobre todos esses assuntos que a Tom sempre interessou.

A obra não tem compromisso com a cronologia, o que deixa tudo ainda mais interessante e sem regras. É um retrospecto bonito sobre a vida do artista com ligações sobre momentos mais atuais do Brasil. 

O autor também faz diversas reflexões a cerca de assuntos relacionados a indústria musical, política e meio ambiente. 

Para quem como eu que já é fascinado pela obra do responsável por Wave, Águas de março, Correnteza, Corcovado e muitas outras canções da excelente safra da música brasileira vai te deixar ainda mais encantado com a genialidade do autor dessas obras.

Os destaque com certeza ficam para a relação de Tom com o meio ambiente. Ele foi pioneiro em abordar essa temática. Em qualquer oportunidade que ele tivesse seja em sua obra ou em entrevistas ele falava sobre o meio ambiente, o desmatamento, tudo isso em uma época que não se falava sobre isso de forma alguma.

O Ruy vai trazer uma reflexão sobre como o piano foi perdendo espaço ao longo dos anos. As histórias de intérpretes vs compositores. Amizades e rivalidades.

É muita história com riqueza de informações, ao mesmo tempo, com leveza

por gabriel

Resenha: Lia – Caetano W. Galindo

Nome: Lia

Autor: Caetano W. Galindo

Editora: Companhia das Letras

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️

Sinopse: Romances podem ser como filmes. Este é um álbum de retratos. Como fotos, os capítulos devem ser vistos por si sós. Como álbum, o livro pode ser lido em qualquer ordem: o que lhe dá sentido (nos dois sentidos) é a vida que registra. É assim que vamos conhecer Lia. Alguém que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas e relances. Não é assim, afinal, que conhecemos todas as pessoas da nossa vida?

Minha opinião: No meu primeiro contato com a escrita de Caetano Galindo, já me mostra ser um escritor de mão cheia. No decorrer dos capítulos, ele vai nos apresentando a “Lia” de uma forma tão tímida que faz com que a gente fique curioso com o que mais ele pode nos contar sobre ela. Tudo isso sem ordem, lógica ou com qualquer preocupação com finalizações, mas nada disso diminui a grandiosidade da história. Lia aos poucos vai criando forma, cor e sentimento para o leitor. A obra traz as pessoas da vida da personagem, o impacto que elas trazem durante a jornada, os dilemas, escolhas, traumas, vivências e observações.

[…] Lia nunca foi de ler poesia. Nem de ter curiosidade […]. Lia sentou no chão, diante do balcão da secretaria, recitou em voz baixa, pela primeira vez e para sempre, o fragmento do poema. […]

[…] Tudo chega ao fim. Tudo tem sua última vez. E quase nunca você soube disso. […]

por gabriel

Resenha: O meio século chegou. E daí? Ainda é cedo para uma crise de meia idade

Nome: O meio século chegou. E daí? Ainda é cedo para uma crise de meia idade

Autoras: Fernanda Tavares e Daniele Oliveira

Editora: Viseu

Onde comprar: Amazon

Sinopse: Ao se deparar com a proximidade de seu meio século, ou seja, seus 50 anos de idade, Priscila Weinberg começa a ressignificar sua história de vida a qual considera um novelo bem embolado. Para ela, isso não é de fato tão ruim, pois retrata fatos e experiências que recheiam a vida. Nesse contexto, seguem-se debates e histórias, dilemas e uma busca por tornar seu novelo mais liso, algo que a personagem entende que acontecerá no reencontro com a criança que fora algum dia: livre, com sorrisos fáceis. São textos interessantes, ora filosóficos, ora bastante divertidos, temperados pelos comentários de sua amiga psiquiatra e cartomante, que dá conselhos ao final de cada capítulo. Por fim, é um recado para todas as mulheres que estão passando pela mesma situação ou para os que se interessam pelos questionamentos que o etarismo traz. É um livro leve, mostrando que ainda é cedo para crises existenciais ou de meia-idade ao se completar o fatídico “meio século”.

Minha opinião:

As autoras Daniele Oliveira e Fernanda Tavares abordam as questões sobre os 50 anos por meio de reflexões com um olhar para o passado e o futuro, sendo uma porcentagem maior dedicada ao passado. 

São diversas as temáticas acerca dos 50 anos em que as autoras exploram, desde a infância, juventude, família, filhos, amigos, namoros, saúde, etc. 

É incrível e nostálgico acompanhar a jornada da personagem Priscila Weinberg e da amiga Dora. 

O texto tem um aspecto de diário, lembranças e divagações sobre tudo que se passa na cabeça das personagens. 

Questões relacionadas as relações entre mãe e filha (a ausência dela), traumas e conflitos amorosos. 

As autoras não falam sobre tudo e deixam os assuntos com a quantidade e a profundidade em que acreditam ser a melhor. E essa atitude torna o texto mais real, afinal na vida é assim: muitas vezes quando conhecemos uma pessoa só sabemos fragmentos dela e os tópicos que ela resolve compartilhar. Este livro é assim… 

O ponto que enfraquece a obra é que elas abusam de momentos para falar sobre pautas amorosas e deixam o leitor com gostinho de quero mais em relação a outros tópicos que cercam os 50 anos, como as perdas da vida, luto, saúde, etc. ganham pouco foco ou quase nulo. Em determinado momento as autoras ficam páginas divagando sobre erros gramaticais das pessoas… 

Apesar destes pontos, o livro é uma boa ferramenta por meio das escritas das médicas sobre tudo que vem na cabeça delas nesta fase da idade…

Em um certo ponto do livro elas mesmas falam que “nós” somos seres individuais e elas fazem uma crítica extremamente pertinente sobre as caixinhas que as pessoas colocam em relação aos conflitos e características das gerações. Aos 50 acreditava que as questões amorosas ganhariam outro tom, mas para as personagens as questões ainda são bem parecidas as levantadas aos 20 e 30 anos…

por gabriel

{Filme} – Uma Prova de Coragem

Sinopse: Baseado em uma incrível história real, UMA PROVA DE CORAGEM acompanha a jornada de superação de Michael Light (Mark Wahlberg), um corredor determinado a vencer o Campeonato Mundial de Corrida de Aventura. A competição na República Dominicana é sua última chance de conquistar o título de campeão do esporte de resistência mais difícil do mundo. Ao lado da sua equipe e de um cachorro de rua, Michel enfrenta centenas de quilômetros na selva, atravessando rios, montanhas e alguns dos cenários mais desafiadores do mundo.

Minha opinião:

Um filme inspirador e que traz o melhor amigo do homem como o verdadeiro protagonista da história.

É de se encher os olhos de lágrima ver como o cachorro pode fazer com que nos tornamos pessoas melhores e podermos conviver e lidarmos com eles de igual para igual.

“Uma prova de coragem” passeia por diversos dilemas que as personagens enfrentam com e sem a companhia de um cãozinho.

É sobre ter fé e não desistir até os últimos instantes pela vida de um amigo. É a resiliência e a coletividade do esporte.

É a esperança pelo melhor. Não é sobre chegar em 1 lugar, mas de que maneira vale a pena chegar lá.

É sobre concluir e não necessariamente vencer.

por gabriel

Exposição Pancetti | Farol Santander

As obras do Pancetti estão disponíveis em exposição no Farol Santander. Gostaria de agradecer o convite do pessoal para conferir a abertura em primeira mão. Vale a pena prestigiar esse mega artista do modernismo. De origem simples, ele retrata o mar, os pescadores e a simplicidade da vida.

O artista pintava tudo que estava a sua volta: barcos, marinheiros, praia e o mar.

Pancetti mergulhou em diferentes segmentos em sua arte; paisagens, retratos e natureza morta.

“As pessoas, quando retratadas, são pequenas, oprimidas entre casas e becos, e as ruas e quintais estão quase sempre vazios.”

O Pancetti se sentia radiante em meio à natureza, já na cidade ele se sentia um mal-estar.

“Os trabalhos têm cores contidas e as formas são reduzidas, quase geométricas. O artista usava cortes marcados, até abruptos e enquadramentos incomuns que revelam sua modernidade, bastante diversa de seus contemporâneos.”

Em cartaz de 22/03/2024 até 30/06/2024

A curadoria da exposição é da Denise Mattar

por gabriel