Resenha: A quem eu pertenço

Pandora Filmes | A Quem eu Pertenço - Pandora Filmes

Sinopse: Aicha vive no norte da Tunísia com o marido e o filho mais novo. A família vive angustiada desde a partida dos filhos mais velhos, Mehdi e Amine, para a guerra. Quando Mehdi inesperadamente volta para casa com uma misteriosa esposa grávida, algo sombrio emerge na região, ameaçando toda a aldeia. Com isso, Aicha se vê dividida entre o amor materno e a busca pela verdade.

Minha opinião: O longa traz uma mistura de gêneros, divididos em capítulos, com ação, drama e sobrenatural. O filme de Meryam Joobeur é cheio de tensões, medo, dor, aflições. Ao mesmo tempo, explora pureza, simplicidade e a sensibilidade das crianças. “A quem eu pertenço” simultaneamente que se propõe a trazer diálogos duros entre as personagens, também expõe diversos momentos em que o silêncio e os olhares das personagens são cheios de mensagens e sentidos.

por gabriel

Espetáculo- Triste!, Triste…, Triste?

No último sábado, 11 de outubro, estive no teatro do núcleo experimental no monólogo protagonizado pelo ator Thalles Cabral, do diretor Nicolas Ahnert, baseado no livro “Triste não é ao certo a palavra” de Gabriel Abreu.

A peça é um oceano de emoções sobre a angústia da perda de um familiar. São múltiplas as sensações. Demonstra uma luta por um resgate do tempo e uma busca por respostas de perguntas nunca ditas.

A personagem principal vai demonstrar todo o percurso dos últimos 30 dias de vida de sua mãe. De forma dilacerante, vivencia as fases do luto até mesmo antes da mãe de fato morrer, visto que a mesma tem o diagnóstico de demência.

Os destaques ficam para o Thalles,que entrega de forma profunda a atuação. O cenário de Pazetto, a iluminação de Nicolas Caratori e a trilha sonora de Alê Martins fazem do espetáculo ainda mais emocionante.

por gabriel

Shakespeare embriagado – Romeu e Julieta

Uma peça de teatro que se propõe a colocar o texto de Shakespeare em um bar. Neste caso, de Romeu e Julieta. Anteriormente realizaram de Hamlet, do qual infelizmente não pude assistir.

Durante toda a peça, os atores bebem cerveja, cantam, dançam e interagem com a plateia. O público tem um papel importante de participação no palco também. 

Apesar de não ser um musical, a música conduz diversos momentos da peça. 

O destaque fica para o elenco, que proporciona muito carisma e momentos engraçados. Não vemos a hora passar.

por gabriel

{Resenha} – Paraíso em Chamas

Sinopse: Três irmãs, com idades entre 7 e 16 anos, vivem sozinhas depois que a mãe desaparece por longos períodos de tempo. Quando o serviço social exige uma reunião familiar, a irmã mais velha, Laura, planeja encontrar uma substituta para a mãe.

Minha opinião:

O sueco longa “Paraíso Em Chamas” da diretora Mika Gustafson traz três meninas protagonistas que encaram a sobrevivência de uma vida com a ausência dos pais que somem de suas vidas por tempos indeterminados. De idades distintas, Steffi tem 7, Mira 12 e Laura 16. 

O longa traz um foco maior na irmã mais velha Laura, que luta para que as autoridades não descubram que ela e as irmãs estão sem um responsável. No meio disso, as irmãs vão celebrar a vida, festejar e passar por ritos importantes, como a primeira menstruação e trocas de dentes. 

As cenas se misturam com raiva, amor, diálogos profundos e até nas cenas silenciosas que não emitem som nenhum, mas mesmo assim muito se diz por meio delas.

Se você for eu e não dispensamos um “coming of age” não pode deixar de conferir o filme.

Trailer:

por gabriel

It’s never over, Jeff Buckley

Conheci o Jeff Buckley lá por 2011, por meio da música “Lilac Wine”. Passei depois a ouvir as outras faixas do seu único álbum, “Grace”. 

“It’s never over, Jeff Buckley” é um belíssimo documentário. Para quem, como eu, já conhecia a história do Jeff, não traz muitas informações inéditas. Porém, isso se torna um detalhe sem importância, em meio aos depoimentos das pessoas que fizeram parte da vida do cantor.

O doc exprimiu também algumas informações sobre o Tim Buckley, pai do artista, que assim como o filho, era cantor -compositor. Figura que Jeff por boa parte do tempo durante seu estrelato buscou fugir das comparações, por óbvia consequência da ausência durante uma vida inteira da figura paterna de Tim.

A mãe, amigos e ex-namoradas de Jeff Buckley participam em meio a depoimentos, entrelaçados a imagens de arquivo, entrevistas, shows e falas do próprio Jeff, que faz o público entender como o artista se enxergava no mundo e as maneiras que usava para expressar tudo isso em música. É de se impressionar e se emocionar junto deles que, mesmo depois de quase 30 anos após a morte do astro, os seus entes choram ao falar de Jeff como se sua partida fosse extremamente recente. 

As animações que aparecem entre imagens e vídeos e nos ajudam a compreender a mente química do artista foram feitas pelos animadores Josh Shaffner e Sara Gunnarsdóttir. 

Muito tímido e introvertido a aparições, entrevistas e exibicionismo, muito provavelmente Jeff se sentiria emotivo e fugiria de falar sobre essa obra. 

Ele admirava diversos cantores-compositores como ele, mas com o tempo esses ídolos do Jeff tornaram-se fãs do próprio, o que o assustou demasiadamente. 

Jeff Buckley é pura sensibilidade em suas palavras, ações e transbordava essas características em suas letras e na sua voz.

“Sem vida comum, não há arte” – Jeff Buckley

por gabriel

Resenha: A neve e a flor -Matheus Moori

Nome: A Neve a Flor

Autor: Matheus Moori

Onde comprar: Amazon

Rede social: Instagram do autor

Sinopse: Eu devo aceitar que quem eu mais amo esteja esperando pela morte? E existe uma maneira certa de se esperar pela morte? Essas questões impactam diretamente na vida de Erin, uma pequena mamute na era do gelo, onde cada animal tem a sua tradição para lidar com o inevitável fim. Em sua jornada, Erin conhecerá outras culturas, como a dos corvos que não acreditam em pós-vida, passando pelos predadores, adeptos da coragem até o último suspiro, mas principalmente tentará entender os costumes de seu próprio povo, pois são estes que guiarão a sua avó pelo caminho em que a neta não poderá acompanhá-la. “A neve e a flor” é uma estória sobre luto, o que não quer dizer que seja uma estória triste, pois além da morte, o luto envolve acima de tudo, amor.

Minha opinião:

Em minha primeira experiência lendo uma obra de Matheus Moori já tive uma grata surpresa. Apesar da temática já me instigar, fazia muito tempo que eu não fazia tantas marcações em um livro como fiz de “A neve e a flor”. São tantas passagens recheadas de questões voltadas às relações humanas, a perda, a vida, o luto e o tempo. 

Foi quase impossível não se angustiar ou não se olhar. Lembrar de alguma situação ou até me imaginar. 

“Todos acreditam em diferentes coisas. Ninguém pode ter certeza de nada. Foi por isso que deixei de tomar o que os outros falam como verdade”

Com muita maestria, o autor colocou animais em seus contextos e habitats naturais, mesclando com reflexões que passam pela vida do ser humano. Além de pontuar sobre a individualidade com que os seres lidam com o luto. 

Tudo isso também embalado por elementos das estações do ano, o inverno, com ele a neve e o frio, assim como a primavera e com ela as flores e o calor. 

“Existe um tempo em nossas vidas no qual parece que tudo durará para sempre. Um tempo em que não havia por que contar os dias e todas as coisas pareciam estar no lugar ao qual pertenciam. Depois, nos lembramos daquele tempo como nossos momentos mais felizes. A questão é: o que faremos quando algo que parecia eterno como geleiras se liquefaz como neve iluminada pelo sol?”

O grande trunfo é a personagem Erin. Ela é ou foi um pouco de cada um de nós. Em alguma fase da vida, a gente se questiona sobre a morte, a partida de pessoas queridas e a dificuldade da aceitação.

Entrevista com o autor

por gabriel

Resenha: Ave Mãe e Segredos Nossos

Ave Mãe e Segredos Nossos | Amazon.com.br

Nome: Ave mãe e Segredos nossos

Autora: Neusa Azevedo

Sinopse: Ave Mãe é um livro que retrata a luta em busca de se aceitar a morte da mãe. Para isso a autora escreve e em cada palavra escrita a perda vai sendo elaborada. É claro que há muita saudade, mas há também a aceitação de que todos um dia irão morrer. É assim que se fala em flores, em confidências, em costumes e em amor muito amor. Segredos Nossos é um livro que trata em alguns poemas sobre segredos. Retrata também sobre os esconderijos. O que é guardar segredo? É um modo de esconder aquilo que teme. Quem não tem seus segredos? Quem não alimenta motivos que nem mesmo o melhor amigo sabe? É assim que se vai lendo este livro. E o que é paixão? O que é amor? Uma forma de guardar em seu íntimo ao que talvez esteja escondendo até de si mesmo.

Minha opinião: a publicação dupla foi uma grata surpresa que a autora traz ao público, com muita criatividade, ao propor fazer um livro duplo, cheio de sentimentalismo, dor, luto, amores e outros temas que cercam a autora. São textos encorpados de visceralidade.
É quase impossível não se colocar no lugar da autora, seja pelas questões que envolvem a relação com a família e a mãe ou pelos amores.
por gabriel

(Resenha)Show do Sixpence None The Richer em São Paulo

No último sábado, 14 de junho, fui conferir o show da banda Sixpence None the Richer em São Paulo, no Carioca Club. Acompanhando a tour estão os músicos da formação original do Sixpence, liderada pela vocalista Leigh Nash.

No show apresentado no Carioca Club, os músicos tocaram de maneira extremamente azeitada. Na guitarra, Matt Slocum, no baixo, Justin Carry e o destaque para o multi-instrumentista Dale Baker, que executa diversos instrumentos durante a apresentação ao vivo e ainda faz backing vocal em partes de canções.

Na setlist da turnê de 25 anos, os artistas tocaram versões icônicas de sucesso de outros artistas, como “Don’t dream it’s over”, do Crowded House, “River” de Joni Mitchell e “There She Goes” do The La’s, faixas em que a Sixpence se apropria do repertório imprimindo sua própria personalidade.

Muito mais que Kiss me

Quando se fala no grupo, logo associa-o ao maior hit deles, “Kiss Me”, de 1997, presente no álbum homônimo do conjunto. Mas a discografia dos músicos merece mais consideração do grande público. Foi nítido que parte dos espectadores do show esperava pela música que embalou as séries e filmes dos anos 90 e 2000.

Apesar disso, o grupo de fãs que se exprimiu na frente do palco cantou todas as canções da banda a plenos pulmões, além de interagir em boa parte do tempo com a vocalista da Sixpence que, em tom de reciprocidade, também trocou palavras, olhares e acenos com muito afeto.

Destaques do setlist ficam para “Don’t let me die in Dallas”, faixa da carreira solo de Leigh, composta após a morte do pai. No ao vivo da música, Leigh esbanjou lágrimas de emoção. 

“The Tide”, também composição da safra solo da artista, foi apresentada com muito sentimento.

“Melody of You” também merece ser mencionada com uma das belas faixas da discografia da Sixpence, apresentada na setlist dessa turnê.

Com muito carisma, Leigh agradeceu aos fãs, conversou, chorou e fez o público se emocionar.

por gabriel

Duas séries que tocam Sixpence None The Richer

As músicas da banda Sixpence None The Richer ganharam ainda mais popularidade por fazerem parte da trilha sonora de séries que marcaram a adolescência de muitas pessoas ao redor do mundo. As séries continuam sendo assistidas ao longo de décadas, o que torna ainda as músicas ainda mais atemporais. Separamos três séries em que as canções compõem as cenas dos dramas.

Dawson’s Creek (1998-2003) foi uma das primeiras séries a popularizar a música “Kiss me”. Impossível não ouvir e não lembrar de momentos com os protagonistas da série. A faixa inclusive faz parte do Soundtrack de Dawson’s Creek.

 

Felicity (1998-2002) é uma série que conta a vida de uma personagem no fim da adolescência e o começo da vida adulta, embalada por um triângulo amoroso e questões envolvendo o amadurecimento. “Melody of You” é uma canção da banda que podemos ouvir na série.

por gabriel

Resenha: Adeus, Garoto

Adeus, Garoto um filme conta a história de Atilio que mora em Napoles, e tem uma boa relação ali com seus amigos, porém vive dramas familiares. O pai de Atilio tem diversos vícios e se envolve em dividas com várias pessoas. Atilio recebe a missão de ser o cafetão de uma prostituta do Leste Europeu. A partir disso uma série de sentimentos e questões passam pela mente da personagem. O filme tem uma atmosfera poética e trabalha com questões envolvendo as dualidades que a vida nos coloca. De certo e errado, de razão e emoção, tudo embalado de diálogos impactantes e uma direção de fotografia de emocionar os olhares.

Pandora Filmes

por gabriel